domingo, 30 de maio de 2010

Conhecer gente é legal.

Conhecer gente não é legal.

Conhecer gente é legal.......

Conhecer gente não é legal......

Pergunto:

Qual foi a última vez que você, leitor, disse "eu te amo" para alguém? E qual foi a última vez em que isso foi absolutamente verdadeiro?

Sério... todo mundo tem qualidade e tal; quase todo mundo conquista você de primeira e poquíssimo todo mundo consegue a façanha de que você queira gastar tempo com ele. Mas um ou outro consegue. E quando consegue? Já dá para pensar em falar que gosta, que ama, que não sei o quê?

Ultimamente, tenho visto n pessoas mal conhecendo - isso quando conhecendo!! - outras e soltando pérolas sobre amor e planos e toda aquela coisa e tudo que qualquer um que lê Shakespeare ou T.S Eliot diz com propriedade.......porque leram. Mas, pô, desde quando a gente consegue amar alguém recém conhecido nessa vida? É claro que, aqui, acabo pensando na palavra de outra maneira. Mas divago.

Vejamos:

É fácil rir no bar; é fácil ter uma noite interessantíssima depois do bar; é fácil qualquer coisa quando a interação é de primeira viagem. A criatura não ronca, não se bate, não briga, não tem ciúme, não tem mentiras, não tem vida, não tem nada...é quase um robô, planejado minuciosamente para fazer o mundo feliz. Está todo mundo ali, disposto a ser tudo .... menos uma pessoa que realmente desperte aquele amor que todo mundo jura que vai durar a vida toda. Mas é perfeita. E é perfeita porque.... ainda é desconhecida!

Mas desde quando pessoas desconhecidas são duráveis, senhor eterno? Afinal, só vai ser possível olhar aquele lado que todo mundo no bar também está olhando. Não dá realmente para ter um entendimento ou ter uma frustração ou ter uma alegria ou ter um surto de raiva... não dá para ter nada. É vazio. Mas é, obviamente, a porta de entrada para algo que, talvez, possa ser chamado de futuro. E é no futuro que a coisa fica interessante...

Revi, pela milionésima vez, Gênio Indomável por esses dias e ainda continuo encantado com o discurso que o personagem de Williams dá sobre amor. E acho válido, uma vez que o que conta são realmente detalhezinhos; o gostoso não é só o quão engraçada e cool a pessoa pode ser. O gostoso é o quanto ela não pode....e o quanto é possível saber disso. Saber que aquele sorriso de canto de boca, aquela agonia por alguma coisa, aquele ciúme por alguma pessoa, aquele espirro por alguma poeira é o que só a gente conhece...e mais ninguém. A graça é isso...é o imperfeito. Robôs enjoam... são previsíveis e monótonos.

No fim... isso é opinião de quem prefere dizer que ama não por achar alguém o cúmulo da perfeição. Quase um sonhador. Talvez seja por isso, aliás, que evito - veja bem: evito! Obviamente que presumo existir pessoas a quem tenho uma confiança quase cega em acreditar e dizer que amo - sair por aí declarando amor eterno para deus e o mundo. Não amo. Gosto, muito obviamente, de muita gente. Mas amar? Meio forçadinho...e hipócrita. Creio que, hoje, esperar uma certa segurança de saber que defeitos existem e que, mesmo com eles, ainda assim é gostoso gastar tempo com alguém é mais do que importante; é o principal. E não quero dizer, com isso, que ser engraçado e legal e tudo o mais não seja importante... mas não deveria ser exclusividade. Vale a pena, no fim, se dar ao trabalho de sofrer um pouco mais e ver que vale a pena conhecer alguém que, por exemplo, passa a noite toda roncando perto de você ou, pior, passa a noite toda acordada sem deixar você durmir... ou tem crise porque você fez um macarrão com molho de tomate, ao invés de um miojo com ovo frito (como minhas irmãs muito prontamente faziam quando moravam comigo).

Isso deveria ser o interessante das pessoas. E aí...creio eu...é que vale a pena tentar a sorte com alguém nessa vida. E aí, muito obviamente, um "Eu te amo" vem a ser muito bem vindo.

Ps.: Eu presumo que falar mais do mesmo geralmente torra a paciência... mas vez por outra...não dá para ficar sem... é quase um vício meu tentar martelar o óbvio. Mesmo que o óbvio, para algumas pessoas, não seja a figura, mas sim o fundo.

Ps.: E é óbvio que eu posso estar errado sobre tudo.... ahsuuhssauh... vai saber.

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