domingo, 4 de julho de 2010

Castelinho de Areia

A vida, vez por outra, é embalada por acordes tristes.

Doeu, doeu, doeu, doeu, doeu... andei pela praia, hoje. Vi o Sol descendo, ali, pela linha que não tem como alcançar nunca. Nunca alcança. Nunca alcanço.


O escuro quase toma conta. Tudo culpa daqueles postes. Luz artificial. Nunca é de verdade. Ou é? Ou é... é....



Não creio que, hoje, seja possível voltar atrás. Não dá... é sempre a Terra e o Sol. Um gira, outro finge. Preciso dos dois. Preciso dos dois...mas me lembro que a coisa sempre é injusta.




E sempre fica na memória. Sempre.





Sempre...





Hoje o mar levou meu chão embora.




Levou, levou, levou, levou, levou... era tão bonito.



Tudo se contempla; mar, areia... é o Sol e a Terra...é a Terra e o Sol. Esqueço, por um instante, que a Lua existe e penso no claro. Não é só o escuro que assusta. Tudo dá medo...e não há muito o que fazer.


Os acordes são melancólicos. São nostálgicos. É tudo ao som de algo que me lembra a infância. Andei hoje por cima do muro. Subi em uma árvore. Umas árvores. Comi Araçá...cortaram o araçazeiro.

Chorei, chorei, chorei, chorei, chorei.... e lembrei de ter andado na areia. Lembrei da areia.

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