sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Algumas coisas, a gente só percebe quando percebem pela gente. Mano novo, imagine, é arteiro que é...tá logo ali, no comecinho da vida, o bichinho, e imagine você que não dá sossego pra ninguém. Parece daqueles...bem, tu já entendeu, né? Bichinho arteiro, o bichinho. Quem é que ia dizer, naquela casa, que sofria disso. Não entendi muito no começo, quando vi o pai andando pra lá e pra cá, pra cá e pra lá, pra lá e pra cá no hospital. Vinha e ia que parecia que ia furar o chão. Pensei, e quem é que não ia pensar isso, que era daquele nervosismo de pai, quando vê filho nascer. Daquele nervosismo bom, sabe? Mas não era. Tinham dito besteira pro velho. Ficou naquele disse disse, e o dissedisse foi aumentando, aumentando, e eles compraram, né? Você confia no que dizem, quando não para pra pensar sozinho. Deu que, no final, tomaram que ninguém dava era nada por certo, e tava tudo na intuição, ainda. A vontade foi de esganar. Veja só... o cara lá...sendo pai, e vão lá e dizem besteira das grandes? Deve ter pensado que ia tudo conhecer o lá de cima mais cedo. Mãe, filho, tudo. Não foram.
Mas ficou aquela pontinha de dúvida, que sempre fica nesses casos que se ama tanto, que só de pensar em coisa ruim a gente desanda, vê é o lá de baixo. Foi que, semana passada, depois de um mês, bateram a madeira e saiu no exame. Acho que tá todo mundo com medo, né. A gente deve se assustar mais com o que imagina, com o que acontece. Quando me ligaram, contando, já pensei logo que ia ser difícil, até que me soltaram que, no fim, tava todo mundo era preparado pra coisa. Trata igual? Não sei. Trata diferente? Menos ainda. Trata? Nem pensar. Destrata? É morte. E todo mundo segue, seguindo a vida nossa e dele, foi o que me disseram. Seguindo a vida nossa e dele, tudo junto, porque acontece que a gente já ama. Me pareceu, por um momento, que quando você ama, deixa de ter medo. Mentira, das brabas. A gente tem medo é redobrado. Tem tanto medo que cuida com mais dente. Porque, no fim, perder parece que não é opção. Nem é, nem nunca foi.

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